Hey there;
Faz tempo não? Para ser sincero sinto cada vez
menos vontade de atualizar esse blog, o que no fundo é algo bom:
significa que tenho tido pouca coisa para desabafar.
Recentemente li uma pérola naquele mar de certezas e
especialistas que é o Facebook. Uma feminista dizendo, basicamente, que
a discussão sobre aborto é uma discussão entre mulheres apenas, que
homens não tem o direito de opinar dado que
eles não abortam.
Vou tentar dizer o que penso disso sem ofender ninguém, OK?
Comecemos pelo óbvio: Uma pessoa não precisa viver a
situação para ser especialista nela. Um exemplo bem simples disso é o
suporte técnico: eu nunca passei nem vou passar pelos mesmos problemas
que meus pais e outras pessoas ao meu redor
passam com computadores. Mas eu sou um especialista muito melhor do que
eles nesses problemas, e isso é tão óbvio que eles me procurarem sempre
que tem qualquer problema. Outro exemplo bom é o parto: apenas mulheres
podem dar à luz, mas qualquer obstetra homem
é um especialista maior no assunto do que qualquer mãe sem o mesmo
estudo que ele. E é esse exatamente o ponto: o especialista se faz menos
pela vivência e mais pelo aprendizado que ele teve. Note que eu disse
“aprendizado”, não estudo, porque eu reconheço
que experiência de vida pode contar nesses casos. Mas reforço o “pode”
porque é bem claro para mim que só porque você viveu uma dada situação
não significa que você aprendeu algo com ela.
Outro ponto importante é que vivemos em sociedade.
Vamos falar a verdade: A sociedade é sim machista, preconceituosa e isso
muitas vezes é uma merda. Mas ainda vivemos nessa sociedade, e enquanto
vivermos em sociedade (especialmente uma
heterogênea como a nossa) é simples preconceito dizer que existe
assunto que só pode ser discutido por pessoas do grupo X ou Y.
Especialmente se isso pode afetar toda a sociedade. Note que eu não
estou dizendo que o peso da opinião do grupo X ou Y não pode
ser maior, estou dizendo que todo mundo tem que ter direito de opinar.
Sério, só eu consigo ver que discutir um problema dentro de um grupo
fechado e depois impor o que foi decidido para todo o resto da sociedade
(seja isso positivo ou negativo) é opressão?
Que isso é moralmente errado e ainda por cima é ineficiente, dado que
esse tipo de atitude só gera resistência e, mesmo quando se consegue
impor a mudança, a tendência é as coisas voltarem a serem como eram
antes na primeira oportunidade?
Esses dois pontos para mim bastam para embasar toda
a minha opinião, mas há uma terceira variável a se considerar: Os dois
argumentos que eu expus não são aceitos, apesar de na minha opinião
serem muito lógicos, simplesmente porque as minorias
tendem a ser preconceituosas (muitas vezes mais até do que a maioria) e
orgulhosas. Elas querem que as coisas mudem, e geralmente para melhor,
mas tem que ser DO JEITO DELAS. E ai de você se você discorda. E é aqui
que mora de verdade o problema: o aborto,
assim como o abandono infantil, e mais uma série de problemas sociais
são problemas que já deveriam ter sido solucionados e só não foram
porque o orgulho das pessoas (e em alguns casos, a maior parcela de
culpa é sim das minorias) impede elas de trabalharem
em conjunto mesmo com opiniões diferentes.
Algo para se pensar...

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