Jul 8, 2016

Vanity. My favorite sin.

Hey there;

Faz tempo não? Para ser sincero sinto cada vez menos vontade de atualizar esse blog, o que no fundo é algo bom: significa que tenho tido pouca coisa para desabafar. 

Recentemente li uma pérola naquele mar de certezas e especialistas que é o Facebook. Uma feminista dizendo, basicamente, que a discussão sobre aborto é uma discussão entre mulheres apenas, que homens não tem o direito de opinar dado que eles não abortam.

Vou tentar dizer o que penso disso sem ofender ninguém, OK?

Comecemos pelo óbvio: Uma pessoa não precisa viver a situação para ser especialista nela. Um exemplo bem simples disso é o suporte técnico: eu nunca passei nem vou passar pelos mesmos problemas que meus pais e outras pessoas ao meu redor passam com computadores. Mas eu sou um especialista muito melhor do que eles nesses problemas, e isso é tão óbvio que eles me procurarem sempre que tem qualquer problema. Outro exemplo bom é o parto: apenas mulheres podem dar à luz, mas qualquer obstetra homem é um especialista maior no assunto do que qualquer mãe sem o mesmo estudo que ele. E é esse exatamente o ponto: o especialista se faz menos pela vivência e mais pelo aprendizado que ele teve. Note que eu disse “aprendizado”, não estudo, porque eu reconheço que experiência de vida pode contar nesses casos. Mas reforço o “pode” porque é bem claro para mim que só porque você viveu uma dada situação não significa que você aprendeu algo com ela.

Outro ponto importante é que vivemos em sociedade. Vamos falar a verdade: A sociedade é sim machista, preconceituosa e isso muitas vezes é uma merda. Mas ainda vivemos nessa sociedade, e enquanto vivermos em sociedade (especialmente uma heterogênea como a nossa) é simples preconceito dizer que existe assunto que só pode ser discutido por pessoas do grupo X ou Y. Especialmente se isso pode afetar toda a sociedade. Note que eu não estou dizendo que o peso da opinião do grupo X ou Y não pode ser maior, estou dizendo que todo mundo tem que ter direito de opinar. Sério, só eu consigo ver que discutir um problema dentro de um grupo fechado e depois impor o que foi decidido para todo o resto da sociedade (seja isso positivo ou negativo) é opressão? Que isso é moralmente errado e ainda por cima é ineficiente, dado que esse tipo de atitude só gera resistência e, mesmo quando se consegue impor a mudança, a tendência é as coisas voltarem a serem como eram antes na primeira oportunidade?

Esses dois pontos para mim bastam para embasar toda a minha opinião, mas há uma terceira variável a se considerar: Os dois argumentos que eu expus não são aceitos, apesar de na minha opinião serem muito lógicos, simplesmente porque as minorias tendem a ser preconceituosas (muitas vezes mais até do que a maioria) e orgulhosas. Elas querem que as coisas mudem, e geralmente para melhor, mas tem que ser DO JEITO DELAS. E ai de você se você discorda. E é aqui que mora de verdade o problema: o aborto, assim como o abandono infantil, e mais uma série de problemas sociais são problemas que já deveriam ter sido solucionados e só não foram porque o orgulho das pessoas (e em alguns casos, a maior parcela de culpa é sim das minorias) impede elas de trabalharem em conjunto mesmo com opiniões diferentes.

Algo para se pensar...


See ya!

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